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É raro que
um povo se mantenha mais de vinte séculos no exílio sujeito a punho de ferro
pelos povos por onde se espalhou e aos quais se subordinou; por estratégia, é
certo, mas não existe estratégia imbatível quando esta é contínua e as mudanças
acíclicas exigidas para esta matéria de autodefesa e automanutenção exigem um
trabalho árduo por parte de quem encabeça as comunidades na diáspora. É certo
que a perseguição e a mão férrea aumenta a união dos sujeitos como é certo que
para tal manutenção é necessária a manutenção das tradições, do idioma e da
cultura popular e religiosa em geral afim a esse povo. Mas para os hebreus,
hoje judeus, havia e há uma vantagem sobre muitos outros povos: é um povo que
nasce sem pátria e dessa forma perdura muitos e muitos séculos.
Errantes a
maior parte da sua existência ao ponto do tempo de independência ser uma gota
de água no oceano da sua vida, tal como beduínos no deserto, calejaram
aparentemente a sua argúcia, para os estranhos os modos de actuação e de
ultrapassarem os obstáculos assemelham-se em todas as gerações, mas há todo um
enorme conjunto de buts não visíveis que oscilam garantindo o
sempre alcançar o que pretendem e isso tem como base a revelação, a tradição e
o desenvolvimento de sistemas de raciocínio que se exteriorizam quer oralmente
quer através da escrita – mas que só eles entendem pela criptação envolvente –
e pela belíssima música que inebria os alheios desconhecendo – e mesmo sabendo
ficariam na mesma – que também ela é parte intrínseca da transmissão oral. Por
exemplo, Rabby Crescas (século XII) permanecia numa pequena região do país
Basco procurando chamar à Sinagoga. Mas sempre em vão; o povo judaico que aí
residia que por serem tão ricos não tinham tempo nem sentiam a necessidade de
apelar a Deus pois, se estavam abastados era porque o Supremo não só estava com
eles como se agradava das suas obras e, para todos os efeitos, os seus filhos
estavam a ser instruídos na Sinagoga e eram suficientes para representar a
boa-vontade da comunidade para com os pais uma vez que o trabalho dos filhos
era o estudar e que melhor louvor havia que esse? Rabby Crescas manda comunicar
aos adultos da comunidade que a partir duma data iria demonstrar
geometricamente a existência de Deus. Durante muitos anos, até ao fim da sua
vida, o Rabby Crescas desenvolveu na Sinagoga os seus geométricos raciocínios
expondo no quadro negro as suas geométricas demonstrações e se na sua primeira
exposição a Sinagoga abarrotava de fiéis, com os anos voltou a não ter
audiência mas o Rabby prosseguiu a anotar os seus raciocínios até morrer. No
início do século XIX os seus manuscritos chegaram às mãos do grande matemático
Lobachevski que os leu com crescendo interesse até ao pasmo porque cada vez
mais se apercebia que o Rabby Crescas poderia não ter demonstrado a existência
de Deus mas demonstrou as Geometrias não Euclidianas, a saber, as geometrias
tridimensionais esféricas e as geometrias n-dimensionais; deste modo, penetrou
naquilo que mais tarde se iria chamar o Cálculo Integral e Diferencial tal como
as derivadas parciais.
Os
raciocínios de Crescas, assentes na observação do comportamento dos membros da sua
comunidade facilmente lhe fizeram concluir que havia um aspecto de ausência
social no centro vital dos companheiros de fé que perigava com uma
desidentificação cultural e final desagregação pela tendência, por falta de
disciplina, para se adaptarem aos fáceis hábitos estrangeiros e notou aí o
perigoso limite em que essa periferia poderia descambar a zona da dispersão.
Ora, a derivada é o perímetro da integração, sua área, e se o centro não atrai
à integração, os derivados podem descambar em diferenciados estando, portanto,
patente nas suas geometrias não-euclidianas o conceito de integral, derivada e
de limites contendo não apenas um aspecto de infinito mas dois: o infinito
positivo e o infinito negativo (+ ¥ e - ¥). Desta forma, duas rectas paralelas:

não-euclidianas
cumprem o mesmo princípio de Euclides que afirma que «duas
rectas são paralelas se por mais que se prolonguem nunca se encontrarem a não
ser no infinito». Mais,
das premissas supracitadas Crescas entra nos domínios das teorias dos grupos e
grupóides, nos anéis e semi-anéis tal como nos universos, matéria que
contribuirá para o grande matemático Gödel desenvolva a Teoria do Universo de
Curvatura Constante[1]. Porém, na matemática, usavam as genealogias
bíblicas e os dados da tradição como estocástica – termo que só iria aparecer
no século XX – comparativa com as bases de dados bíblicas e da tradição para
calcularem os acontecimentos e os comportamentos dos humanos sobre a Terra em
função das afirmações dos videntes e profetas (bíblicos e outros, porque estes
em todos os tempos existiram). Mais tarde nos grandes salões do século XVII e
XVIII surgia uma “ciência” divinatória denominada de numerologia e que
assentava em textos esparsos da Cabbala vindos a público por escritores
desejosos de sensacionalismo com o fito de serem convidados e brilharem nesses
salões acrescidos de grande quantidade de documentos da tradição numerológica
persa. Realmente nesses salões muitos aspectos científicos foram exibidos
surgindo aí os primeiros passos de Mésmer na sua investigação sobre o
magnetismo animal e que mais tarde foi chamado de mesmerismo até que a meados
do século vinte já dominava o termo hipnotismo.
Nada de
novo se pensarmos que os cabalistas antigos estudavam os fenómenos astronómicos
e astrofísicos, seguiam atenciosamente o aparecimento dos cometas e o seu
desaparecimento usando unidades cronométricas criadas para os fins em causa;
consequentemente acabou por parecer a muitos que eles se dedicavam à astrologia
porque se debruçavam sobre as doze constelações do zodíaco mas e na realidade
dedicavam-se a estas por serem visíveis tanto no hemisfério norte como no
hemisfério sul deste nosso planeta – sim, porque nos primeiros séculos da era
comum já se sabia pela observação da Lua, dos eclipses parciais ou da análise
do início, avanço e fim dos eclipses totais, que a Terra era redonda. Porém,
como na realidade eles esboçavam nos seus mapas astronómicos uma décima
terceira constelação os outros povos pensavam que se tratava dum paralelismo
com as onze tribos e as duas meias tribos hebraicas constituindo este mapa o
necessário astrológico para substituir o perdido Urim e Thumim[2].
Dedicavam-se
também à química, à física, à botânica, à farmácia, à medicina, à anatomia e a
muitos aspectos da ciência que, generalizando-se as publicações
simbologicamente criptadas (como era costume do povo judeu), se pensou que o
povo se dedicava à Alquimia tornando-se estes ditos dos povos a razão mais
forte para que a Cabbala se tornasse proibida pela inquisição por conter
matéria de feitiçaria e de adivinhação. O povo judaico nunca se arvorou
orgulhosamente dos seus feitos científicos que sempre alcançou tal como hoje,
mesmo debaixo de fortes perseguições, de reduzido a guetos, a cinzas na
Inquisição, por não abdicar dos seus princípios e fé piedosa e, finalmente ao
enclausuramento e destruição massiva pela actuação nazi e por isto, sempre foi
reconhecido como um povo de grande espírito literário, musical, científico
assim como em muitos outros campos do conhecimento onde desde há longos séculos
os outros povos o aplaudem; por todos os povos por onde deambulou (como
actualmente o faz) e a começar no Egipto no tempo antes de Moisés, sempre teve
o cuidado de compilar o máximo que podia aprender sobre todos os campos do
conhecimento ao ponto de ainda hoje permanecer vivo o hábito do diário
individual e do diário de família para uma melhor identificação mas e acima de
tudo, para uma maior acuidade de análise das tendências dos membros das
gerações vindouras. Porém, se existe um forte orgulho num judeu assenta no
facto único de ser Judeu e descendente dos grandes Patriarcas Noé, Abraham e
Jacob tal como por ter tido como líder Moisés a quem o Deus Uno transmitiu a
Thoráh.
Ora a
Cabbala não caminhava apenas na busca da ciência física (terrestre), como já
afirmei na primeira parte deste documento, mas esta servia e serve, para
estabelecer, ampliar e gerar novos sistemas de raciocínio e análise para,
conjuntamente com o crescimento espiritual fruto da prática da Lei, avançar na
busca da Verdade e isto passa por se conseguir descodificar os arcanos, os
arquétipos e as simbologias da Thoráh escrita e, principalmente, a oral, da
Bíblia e da tradição. Daqui que de Luria tivesse jorrado a massiva quantidade
de dados sobre a Cabbala mística.
Uma faceta
importante das comunidades judaicas assenta no facto do tribunal actuar no
cerne da Sinagoga e o mais longe que a comunidade vai em relação a um judeu é à
sua suspensão a qual durará até que ele tome consciência do(s) erro(s)
cometido(s) e se retracte nesse tribunal. Não fica entregue a si próprio o
sujeito à suspensão, com ele está sempre o Rabby e a ele vêm sempre os amigos
íntimos e outros membros da comunidade apoiá-lo com ele dialogando, estudando e
orando, tudo com o fito de o chamar benevolentemente à razão. Se Sabbataï Tzevi
foi expulso e riscado dos anais do mundo judaico, mas permaneceu na história do
povo, foi ele próprio que o fez pelo anátema da apostasia de se ter convertido
a outra religião que, no seu caso, foi a muçulmana, mas que poderia ter sido
outra qualquer; porém, eu sei de fonte segura e porque assisti – aliás como no
caso dos cristãos novos -, que se Sabbataï quisesse ter retornado à comunidade
judaica e se publicamente na Sinagoga se retractasse ele teria sido aceite de
braços abertos por toda a comunidade.
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Na Parte I
deste documento terminei, após análise das patologias psíquicas de Sabbataï
Tzevi, pondo a hipótese das exteriorizações típicas dos videntes que nos foram
concedidas do passado por longos ou pequenos extractos de documentos sagrados
ou não,
provenientes de todas as partes deste
nosso globo e do presente. Continuando um pouco mais nesta linha; é verdade,
assim afirmam os videntes da antiguidade como os da actualidade, que qualquer
vidente pode por múltiplas razões desviar-se e mesmo perder-se por completo da
linha que encetou e isto por maior que sejam as suas capacidades psíquicas e
intelectuais. Podereis achar que esta matéria que ‘ora abordo é demasiadamente
especulativa e mesmo improvável mas o espírito da investigação de religiões é
mesmo assim porque não pode – porque não deve – pôr de parte seja o que for das
mensagens que formam as suas bases de dados.
As
resultantes deste trabalho depois de devida e claramente expostas, sem
adulterar as ordens cronológicas e outras muito mais importantes, logo seguirão
para os especialistas que as refinarão se passíveis de formar um corpo
epistemológico.
Há que
notar que um dos factores com que sempre se debateram os parapsicólogos e
outros, assentou no facto de que os fenómenos ditos parapsíquicos não possuírem
a capacidade de serem reproduzidos. Mas isto tem acontecido porque esses
especialistas têm investigado os fenómenos isolados da comparação histórica; se
o tivessem feito em equipa com sociólogos, antropólogos, historiadores e
filósofos de religiões teriam observado que afinal esses fenómenos se repetem
sendo o único e grande problema os quadros das exteriorizações fenoménicas que
coincidem com muitos quadros das patologias de doenças psiquiátricas e, claro,
que uma equipa investigativa, como acima foquei, necessita também de conter
psiquiatras e neurologistas. Se eu como muitos outros, antes e depois de mim,
conseguiram e têm conseguido formar equipes dessas e com muito mais
especialidades seguramente que os parapsicólogos também o alcançarão.
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No cerne
do século XVII o movimento cabalista de Safed e muito particularmente o movimento
luriânico, alcançaram toda a diáspora sentindo-se o impacto mais forte em
Itália e na Polónia e é, realmente, relativo a este último país que urge um
grande desenvolvimento pelos acontecimentos históricos que aí tiveram lugar e
que em muito concernem ao movimento de Sabbataï Tzevi onde este interviu num
acto de tal forma gritante ao ponto de partir as portas da Sinagoga mais
importante daquele país, a saber: a Sinagoga de Portugal. No entanto, há que
focar que é da Itália que a Polónia recebe a forte influência cabalista e não
da Palestina, como muitos historiadores quiseram fazer pensar, porque os
cabalistas polacos, que não podiam ir à Terra Santa, dirigiam-se a Itália com o
fito de estudar com os mestres que aí residiam.

Matathias
Delacrot de Cracóvia[3] e Mardoqueu Yaffê de Lublin[4] assumem a cabeça do movimento da
propagação da Cabbala na Polónia na metade do século a que me reporto. Os seus
comentários dos primeiros autores clássicos Ibéricos revelam o quanto eles eram
fiéis discípulos dos cabalistas italianos. O comentário de Delacrot sobre Cha’arey Ora (As Portas da Luz) de Joseph Gikatila e a de Mardoqueu
sobre o Comentário do Pentateuco de Menahhem Recanati constituíram as
primeiras obras de cabalistas polacos impressas na época. A quantidade de obras
cabalísticas que saíram das imprensas de Cracóvia e de Lublin depois do final
do século XVI provam a grande e autêntica demanda por esse género de literatura
mesmo que em 1570 o Rabby Moshé Isserls tenha vigorosamente protestado contra o
interesse popular pela Cabbala da «louca
ignorância» pela
sabedoria cabalística. Estes tipos de protestos, aos quais se juntaram as vozes
de outros Rabbym polacos, não surtiram qualquer efeito ao ponto de sábios e
eruditos da comunidade judaica, mesmo sucessores de Isserls, estudarem as obras
com todo o seu fervor chegando o próprio ilustre talmudista Rabby Joel Sirkes a
escrever um comentário cabalístico. O sistema de Cordovero manteve-se na
íntegra mesmo depois da chegada à Polónia da Cabbala de Luria ao ponto de se
provar como falsa a opinião corrente que pretendia exibir que a Cabbala
luriânica tinha dominado a Polónia.
Estes e
muitos outros acontecimentos cabalísticos que tiveram lugar muito antes do
movimento sabataísta, provocaram o reacender dos aspectos revolucionários do
messianismo apocalíptico. Mas é importante aqui analisar sucintamente o que
estava a ocorrer nessa época no seio do cristianismo porque a analogia dos
conflitos contribuirá para a nossa compreensão da explosão sabataísta e os seus
seguimentos. Certos autores avançaram mesmo – se bem que as suas bases não
pareçam muito sólidas – que existia uma correspondência de casualidade entre o
movimento sabataísta e determinados movimentos milenaristas, que surgiram na
mesma época no mundo cristão e que merecem um exame aprofundado, pelo menos
porque e como atrás afirmei, os cristãos da época de Sabbataï depositaram
grande fé no seu movimento porque esperavam dele a unificação judaico-cristã.
O
Cristianismo oficial – Católico e Protestante –, teve sempre como
exteriorização tradicional sobre as esperanças messiânicas, quer judaicas, quer
cristãs, em termos muito pouco lisonjeiros, por se tratarem de conceitos
materialistas e carnais. O judaísmo, por seu turno, não via qualquer progresso
espiritual numa concepção messiânica a qual renunciava explicitamente à
dimensão histórica negando que a redenção teria que se operar sobre esta terra,
por todos, ao nível da alma e do corpo. E se parecendo que cristãos e judeus,
nesta matéria, caminhavam de mãos dadas a verdade é que os cristãos acusavam os
judeus de permitirem alimentar no seu seio estas ideias messiânicas ao ponto de
influenciarem os cristãos e, neste caso, acusavam os judeus de judaizantes isto
é, como se o judaísmo possuísse ou estivesse a nutrir uma acção proselitista –
sempre impensável no seio judaico; não obstante, o luteranismo por questões de
segurança inseriu uma condenação explícita ao milenarismo judaico. Mas o
cristianismo da época estava inundado de conceitos milenaristas – que aliás já
vinham dos conceitos de que do ano mil não
passarás – ao
ponto de ser focado que foram os milenaristas cristãos que prepararam os
espíritos judaicos para a vinda do redentor. Não existe nenhuma prova para
confirmar tal hipótese e muito menos a das crenças milenaristas dos negociantes
ingleses e holandeses de Esmirna que pudessem influenciar os sonhos messiânicos
do jovem Sabbataï. Certos círculos messiânicos cristãos esperavam o segundo
advento para o ano de 1666 fundamentando os seus cálculos sobre o número da
besta do Apocalipse de João. Do mesmo modo os cabalistas fundamentaram as suas
especulações sobre o ano 408 (1648) mencionado no Zohar enquanto que os
místicos cristãos, que calculavam a data do fim dos tempos tinham como seu
número messiânico designado pelo ano de 1666, como data da submissão da besta e
do estabelecimento do reino dos santos. Este sincronismo entre cristãos e
sabataístas foi acidental mas esta analogia é já de per si
interessante vista da perspectiva de um clima religioso similar. Os movimentos
milenaristas, sob as formas messiânicas, ilustram por excelência as
potencialidades revolucionárias inerentes às formas que a Igreja sempre
desconfiou tal como suspeitou de serem influenciadas pelas concepções judaicas.
Estas tendências revolucionárias afirmaram-se na história do cristianismo tanto
ou mais do que na história do judaísmo, que conheceu por numerosas gerações um
controlo, no mínimo, firme por parte das autoridades rabínicas. A explosão
sabataísta não teve nem mais nem menos importância para o judaísmo do que os
movimentos milenaristas para os cristãos mesmo, baixo o facto, de os judeus
terem sido afectados profundamente.
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Sabbataï
chega a Jerusalém no final do verão de 1662 (com 35, 36 anos de idade) e
retorna ao Egipto no final do ano de 1663. Um dos mais famosos dos Rabbym de Jerusalém
era, nessa época, o Rabby Jacob Hhagiz autor, de entre outras obras, de um
comentário da Mishna intitulado ‘Etz
Hhaym e o dirigente de um
colégio rabínico Hesger (Claustro ou Encerrado no dialecto sêfarad) que foi
fundado por uma família rica de Livurno, os De Vega; ali o rabby educa e forma
numerosos discípulos entre os quais sábios e rabbym como Josef Almosnino que se
tornará Rabby de Belgrado e o Rabby Môshé ibn Habib de Jerusalém. Josef
Almosnino contava, entre os seus discípulos, com um jovem estudante de origem
ashkênázi cujo pai era da Polónia ou da Alemanha; o nome do jovem era Abraham
Nathan ben Elia Hhayim Ashkênázi e que se tornará célebre sob o nome de Nathan,
o profeta de Gaza e reconhecido como profeta pelos
sabataístas que lhe chamavam Nathan de Gaza. O seu
pai reconhecido como pessoa de grande mérito entre os judeus mesmo pertencendo
ao movimento sabataísta em nada viu o seu nome denegrido, pelo contrário. O
jovem Nathan, por sua parte, tornou-se de sobremodo activo por fazer publicar e
difundir os manuscritos cabalísticos que ele trouxe consigo da Terra Santa.
Publica a segunda parte do Magguid Mecharym (Veneza, 1649), um jornal místico do
autor do Sulhhan ‘Arukh, Rabby Josef Karo e do mesmo modo que o Zohorêy Hhamá (Veneza, 1649 – 1650), um importante comentário do Zohar
sobre os capítulos de Génesis escritos por Abraham Galante. Na altura de uma
missão em Marrocos, o pai de Nathan transporta consigo obras manuscritas dos
cabalistas de Safed e quanto ao seu filho permanece em Jerusalém nos seus
estudos sob a direcção de Jacob Hhagiz que se tornará um adversário implacável
dos sabataístas. Nathan nasceu em Jerusalém, provavelmente cerca de 1663 – 1664
permanecendo com o seu mestre Hhagiz no colégio deste.
Tudo
mostra que Nathan foi um estudante extremamente dotado tal como dotado de uma
inteligência viva e profunda. Os seus escritos reflectem a qualidade do seu
espírito, rara mistura duma grande capacidade intelectual tal como de uma forte
carga imaginativa e emocional, tendente mesmo à hipersensibilidade. Sabbataï
Tzevi vivia em Jerusalém quando Nathan já atingira a idade adulta e é bastante
possível que eles se tenham encontrado nas ruas e vielas da Cidade Velha mas
sobre isto não há provas.
Há que ter
em mente que Sabbataï tinha o dobro da idade de Nathan e que a maneira de ser
deste se encontrava mais próxima de Sabbataï do que do seu mestre Rabby Jacob
Hhagiz. Nathan tinha grande tendência para se isolar, tal como Sabbataï, ou de
ir só para o deserto tal como de permanecer junto às sepulturas dos santos nos
arredores de Jerusalém. Todos estes elementos nada mais podiam do que aumentar
a simpatia de Nathan perante Sabbataï e vice-versa porque Nathan só podia
observar, dentro das similaridades entre os dois, a fantástica presença de Sabbataï,
aquele estranho Rabby, asceta e cabalista, atacado por actos bizarros e mesmo,
por vezes, levado a transgressões sob a pressão das forças demoníacas,
ameaçando a vida do santo; tudo isto seria naturalmente um forte objecto para
conversas naquela pequena cidade, particularmente nas sinagogas e nas escolas
rabínicas.
A sua bela
e atraente aparência, o seu ar pleno de dignidade e a sua voz maravilhosa eram
extremamente conhecidas e por isto, é natural que o jovem estudante Nathan
possa ter sido influenciado, inconscientemente mas profundamente, por alguns
breves encontros com o hhakham[5] Sabbataï Tzevi e, desta forma, uma
centelha se acendeu no espírito e na imaginação de Nathan; ele permanece só
todo o tempo que lhe resta em Jerusalém para se transformar numa chama
cintilante quando partiu para Gaza e começou a consagrar-se aos estudos
cabalísticos.
Com a
idade de dezanove ou vinte anos, Nathan casa-se tal como aconteceu no mundo
inteiro com os brilhantes estudantes das escolas rabínicas. Samuel Lissabona
(Lisboa), um judeu riquíssimo de Damasco instalado em Gaza, pede ao Rabby Jacob
Hhagiz que se dirigia a Yeshivá de Jerusalém, para lhe recomendar um eventual
esposo para a sua filha que era «de
uma beleza perfeita mas infelizmente tinha um defeito num dos olhos». O pai da rapariga prometeu, segundo o
costume da época, de prover as questões do seu futuro genro e de o permitir
consagrar-se aos estudos. Hhagiz escolheu o seu melhor estudante e Nathan
partiu para viver em Gaza com a família da sua esposa. O Rabby dessa pequena
comunidade era, na altura, Jacob Najara, neto do poeta e cabalista Israel
Najara que se estabeleceu em Gaza até ao fim da sua vida. O casamento de Nathan
deu-se por volta dos finais de 1663 uma vez que ele vivia já em Gaza quando Sabbataï
por ali passou em direcção ao Egipto.

Aos vinte
anos de idade e já casado Nathan envolveu-se nos estudos da Cabbala seguindo,
desta forma, o costume sêfarad (tal como aconteceu com Sabbataï Tzevi, como já atrás
observámos) e os usos estabelecidos pelos cabalistas de Safed em meados do
século XVI. Porque o domínio desta matéria não foi por ele abordada enquanto
ele residia em Jerusalém é talvez a razão porque ele não se apegou, de modo
consciente, a Sabbataï na altura. Sabe-se que na sua juventude Nathan conheceu
algumas obras cabalísticas surgidas fruto de uma inspiração ou de uma revelação
mística. Existe um manuscrito que contém revelações que o cabalista de Safed
Eliézer Azikri recebeu em sonhos e este era uma das luzes da escola de Môshé
Cordovero no final do século XVI. Este manuscrito chegou às mãos do pai de
Nathan no qual Nathan anota em margem um certo número de comentários antes
mesmo que nele se produza o seu próprio desenvolvimento místico e ele assina: «Eu Nathan Ashekênázi». Isto é prova mais do que suficiente que Nathan nutria já um
grande interesse por estudos desta ordem.
Possuía a
Cabbala um poder especial, um poder de atracção de tal forma de quem nela
entrava, fosse num mínimo aspecto, que não mais se poderia sair dela ou
acontecia a determinada pessoa ser por ela atraída? Seja como for Nathan
começou a prolongar-se nas profundidades da Cabbala alcançando um estado de
consciência equivalente ao poder de uma explosão. Nathan referenciou mais de
uma vez essa experiência e acabou por desenvolvê-la numa carta que escreveu
cerca de
«(Eu escrevo) estas coisas para vos fazer fielmente conhecer a
certeza das palavras de verdade, a causa e a razão profunda das novidades que
anunciei à assembleia da comunidade de Israel sob o tema da libertação e da
redenção das nossas almas. Qualquer que me conheça pode jurar que depois da
minha infância e até hoje, ninguém me pode acusar do mais pequeno pecado.
Observei a Lei na pobreza e nela meditei dia e noite. Nunca segui os desejos da
carne mas impus-me todos os dias com toda a minha força a novas mortificações e
penitências; nunca tirei algum benefício material da mensagem que transmiti.
Graças a Deus, existem inúmeras testemunhas que poderão garantir tudo isto tal
como ainda mais. Eu estudei a Thoráh em estado de pureza até à idade dos vinte
anos e cumpri o grande Tiqün que Isaaque Luria recomenda àqueles que cometeram
grandes pecados. Se bem que – Deus seja louvado! – eu não tenha cometido
intencionalmente algum pecado porém, eu mesmo cumpri (esse tiqün) mesmo para o
caso da minha alma numa transmigração anterior lhe possa ter causado. Com a
idade de vinte anos comecei a estudar o livro do Zohar e determinados escritos
luriânicos. (Segundo o Talmude), aquele que se deseja purificar recebe a ajuda
do Céu; desta forma Ele me enviou alguns determinados dos Seus anjos e dos Seus
espíritos benditos que me revelaram numerosos mistérios da Thoráh. Este ano mesmo,
a minha força foi estimulada pelas visões de anjos e de almas benditas e por
isso dei início a um jejum[6] prolongado durante a semana precedente ao jejum do Purim.
Instalei-me numa cama aparte num estado de santidade e pureza, recitando as
orações penitenciais do ofício da manhã com numerosas lágrimas, o espírito veio
sobre mim, os meus cabelos recaíram sobre a minha cabeça, os meus joelhos
tremiam e eu vi a Merkabá – o carro divino ou a esfera dos sefirot divinos – e
visões divinas ao longo do dia e da noite me foram recordando o verdadeiro dom
da profecia, como a todos os outros profetas enquanto que a voz que me falava
começando por estas palavras: ‘Assim fala Adônáy’. E o meu coração percebia
extrema e claramente a quem estava dirigida a minha profecia (a saber, Sabbataï
Tzevi), do mesmo modo que Maymonides declarou que os profetas percebem no seu
coração a interpretação correcta da sua profecia de modo a que não tenham
qualquer dúvida sobre a sua significação. Até este dia nunca tinha tido uma tão
profunda visão e que ficou de tal forma gravada no meu coração até àquela em
que o redentor se revelou em Gaza e se proclamou o messias; somente nessa
altura é que o anjo me permitiu anunciar o que eu tinha visto. Eu reconheci que
ele era o verdadeiro messias graças aos sinais que Isaac Luria ensinou; ele
(Luria) com efeito revelou profundos mistérios da Thoráh e nada há de falso em
tudo o que ele ensinou. Do mesmo modo o anjo que se me revela numa visão
posterior era um ser de verdade e ele me revelou mistérios impressionantes».
A
importância de todo o material exposto até aqui é de tal ordem que sobrepassa a
importância do sabataísmo

O
movimento messiânico toma o seu impulso na Palestina mas não possuía qualquer
expansão senão depois da partida de Sabbataï da Terra Santa. Apesar das
primeiras vagas de manifestações massivas de entusiasmo que obrigaram a sua
passagem por Esmirna, tal não possuía ainda um significado decisivo uma vez que
no fim do verão de 1665 as matérias exibidas pelo movimento apenas se mantinham
no cerne de uma audiência muito restrita; possivelmente porque as novidades
ainda não tinham um corpo definido exibindo, desta forma, algo de muito vago
para alimentar expectativas.
Os
cabalistas egípcios – que formam as primeiras fontes de informação – foram os
mais surpreendidos pelos dados que a eles chegaram ao ponto de enviarem
emissários a Gaza a fim de observarem no local os acontecimentos de que
vagamente tiveram notícias. Porém, até à confirmação do acontecimento
messiânico e isto dependeu do reconhecimento do estatuto profético de Nathan,
não ouve qualquer transmissão «das boas novas» quer no país, quer nas comunidades com
quem o movimento tinha um contacto mais estreito, tais como, o Yemen, o
noroeste africano e a Itália.


Porém,
tudo se modificou em meados de setembro de 1665 aquando das cartas entusiastas
que de Aleppo[7] foram enviadas a Constantinopla
contradizendo as comunicações, provenientes de Jerusalém, sobre a excomunhão de
Sabbataï. Do Egipto e, talvez também, da Palestina foram transmitidas
maravilhosas notícias tal como apelos ao arrependimento sendo esta a forma em
que, provavelmente, as novidades circularam com muito mais força do que através
das solenes proclamações que emanavam de Gaza ou como uma pretensa carta de
Gaza citada por Emanuel Frances «Sabei,
irmãos nossos, a Casa de Jacob, que Deus visitou o seu povo e nos enviou um
redentor e um sábio, o nosso rei Sabbataï Tzevi que foi ungido pelo profeta
Nathan segundo a palavra de Adônáy. E agora, pelo decreto do nosso rei e do
profeta, se apela a um jejum e a uma assembleia solene, eliminai as vias do mal
que vos perseguem, reuni-vos e vinde inclinar-vos diante do vosso rei.» Proclamações deste género com toda a
probabilidade que não foram alguma vez feitas não sendo mais do que resumos
feitos por Frances sobre os registos do movimento sabataísta mesmo porque o
final do texto convidando a vir para se inclinarem diante de Sabbataï Tzevi só
pode exibir a dúvida sobre a autenticidade desse registo pois Sabbataï saiu da
Palestina antes que qualquer tipo de apelo deste género tivesse por ele sido
feito.
Muito
menos há qualquer tipo de indicação de que os discípulos de Sabbataï alguma vez
se tivessem dedicado a esse tipo de exortações a partir de junho de 1655.
Concluindo
definitivamente sobre esta matéria, não existe qualquer tipo de provas sobre
uma propaganda messiânica até meados de setembro de 1655. As primeiras cartas
de que Sasportas teve conhecimento e que nunca reproduz o seu conteúdo por
fidelidade ao seu hábito de não propagar documentos pró-sabataístas, foram
escritas por volta do final do mês de setembro de 1655 sendo estas provenientes
da Palestina e do Egipto. Estas cartas viajaram cerca de dois meses antes de
chegarem a 30 de novembro a Hamburgo aonde Sasportas se tinha instalado,
enquanto que as cartas «à glória de Sabbataï
Tzevi e de Nathan de Gaza»
conservadas por Emmanuel Frances só foram escritas em Gaza e no Egipto por
volta de 29 de novembro; a maioria das outras cartas foram escritas muito antes
e a série completa já estava reunida nesta última data que foco e depois
enviadas para o Egipto permanecendo na sua forma actual. O relato publicado por
U. Cassuto foi redigido a 26 de novembro e uma tradução inglesa foi publicada
como uma das primeiras brochuras a difundir as novidades do despertar messiânico
no mundo cristão. Existe, na realidade, testemunhos mais anteriores sendo um
deles a primeira brochura alemã sobre o movimento e que menciona uma carta
escrita a Alexandria em 14 de setembro de 1665 tal como as cartas de Jerusalém,
Hebrom e Gaza que passaram por Veneza e Livurno. Uma carta escrita a 24 de
setembro por Josef b. Mehorai Azobib (da Argélia?) ao seu amigo Môshé Tardiola,
de Jerusalém foi conservada na sua total integridade focando nela, o seu autor
(que se encontrava em Alexandria), as ditosas novas ao seu correspondente que
se encontrava em viagem a pedido e por conta da comunidade de Jerusalém em
Tripoli tal como noutros locais do norte de África. Sasportas considerava
Tardiola como um eminente e erudito Rabby e se o não fosse como explicar o
precedente de uma comunidade como a de Jerusalém lhe encomendar essa viagem até
Marrocos inclusive... A carta de Azobib parece tratar-se de uma resposta a
questões propostas por Tardiola sobre certos rumores vagos e confusos por ele
ouvidos; não obstante, a resposta de Azobib foca as boas novas mas e acima de
tudo, menciona o profeta Nathan de Gaza, o messias Sabbataï Tzevi e a
reconstrução do Templo mas já com um atraso de cinco anos. A carta reflecte
igualmente o entusiasmo prevalecente «mesmo
se eu te escrevesse dia e noite durante duas semanas, eu nunca te poderia
transmitir um milésimo das coisas novas que continuamente são reveladas pelo
profeta, todos os seus propósitos relativos à nossa redenção.» Em Alexandria, a comunidade dedicou-se
a um arrependimento massivo de tal forma que já nem havia memória de algo
idêntico e, na realidade, um terço da comunidade vestiu-se de sacos de
serapilheira[8]. Azobib descreve longamente os jejuns
decididos pelos adultos e pelos jovens e exorta o seu correspondente a pensar
no bem geral e a pregar o arrependimento, isto é, a difundir a mensagem
sabataísta
A história
dos preparativos da propagação do movimento acarreta um problema difícil porque
as provas são abundantes sobre o zelo e a actividade dos membros do movimento
tal como as suas cartas testemunham igualmente o seu entusiasmo e o seu ardor
porém, o silêncio dos opositores aos sabataístas, nos seus primeiros tempos, é
desconcertante. O tribunal rabínico de Jerusalém tinha advertido formalmente os
Rabbym de Constantinopla e de Esmirna da excomunhão de Sabbataï e essas cartas
de Jerusalém foram efectivamente recebidas sendo, também, possível que cartas
semelhantes tenham sido igualmente enviadas ao Egipto onde o excomungado teria
recentemente residido como emissário oficial de Jerusalém. No que respeitava à
Europa parece que não houve ninguém “disponível” para a distribuição de cartas
semelhantes. Ora, é um facto curioso que, apesar da viva correspondência que
constantemente era trocada entre o Oriente e a Europa sobre as novidades
messiânicas, nem o acto de excomunhão de Sabbataï, nem qualquer outro documento
oficial semelhante, tenha ido parar às mãos ou chamado à atenção dos
anti-sabataístas, os «infiéis» de Amsterdão, Veneza e de Hamburgo...
mas e por outro lado sendo compreensível é desconcertante no que concerne a
esses anti-sabataístas, que Sasportas escreva com um franco parti-pris
anti-sabataísta tal como suprimiu as cartas e os documentos favoráveis ao
movimento e aos seus mentores; por outro lado, é inconcebível que ele tenha
ocultado um documento, como a excomunhão, que representava aquilo que ele mais
parecia desejar, a saber, uma condenação para Sabbataï Tzevi por parte dos
Rabbym de Jerusalém e perante esta atitude o argumentum ex silencio é
irrefutável ao ponto de a conclusão se impor indiscutivelmente. Nem Sasportas
nem os seus amigos (que teriam certamente toda a felicidade de lhe fornecer
essas cópias) alguma vez viram documentos dessa ordem provenientes fosse de
onde fosse e, muito menos, de Jerusalém. Sasportas discute longamente a
credibilidade a dar a esses rumores contraditórios que lhe chegam e nós aqui
estamos a perguntar-nos «mas será que alguma
vez os Rabbym de Jerusalém excomungaram Sabbataï Tzevi? E se sim,
arrependeram-se eles dessa excomunhão?» Sem documentos passíveis de comprovar fosse o que fosse
sobre Sabbataï, Sasportas reduziu tudo ao mundo das conjecturas e das
suposições e este homem era radical nesta matéria. Não obstante uma pergunta
ainda mais terrível ficava no ar «porque
é que os Rabbym inerentes a este processo ficaram silenciosos?»
Índice das
Imagens:
1 – Paralelas não-euclidianas
2- Sabbataï Tzevi
3 - Mapa de Lublin e Cracóvia, Polónia
4 –
Abraham Nathan ben Elia Hhayim Ashkênázi, Nathan de Gaza
5 – Mapa de Safed ou Zafet, Israel
6 – Mapa de Yemen
7 – Mapa de Aleppo, Síria
Fundo construído a partir do quadro A Floresta
Sagrada (1882) de Arnold Böcklin.
[1] A Teoria do Universo de Curvatura Contínua
mostra que o universo é limitado e, portanto, finito.
[2] O Urim e o Thumim era um objecto que o
Sumo-sacerdote usava sobre o peitoral e que consultava sempre que necessário
para comunicar com Deus a fim de julgar o povo ou saber a vontade divina sobre
medidas a tomar.
[3] Polónia.
[4] Polónia.
[5] O Sábio.
[6] Este jejum denomina-se de Hafsaqa e dura
muitos dias não sendo interrompido nem por uma ligeira refeição depois do pôr-do-sol...
nesta altura também não se bebe água.
[7] Cidade do norte da Síria aonde a comunidade
judaica era (e é) muito importante, porque era aí que se compilava o Talmude,
denominado de Talmude da Babilónia, e aí se reunia a Grande Assembleia dos
Patriarcas a cujos membros se chamavam de Sofrym (aqueles que contam todas as
letras contidas na Thoráh).
[8] Costume de arrependimento e luto muito
comum nas descrições bíblicas.